08 setembro 2014

Auto-retrato do eu|outro

"A pergunta de uma brasileira (uma pessoa com avós húngaros tem direito a um passaporte húngaro?) parece partir da vontade de construir uma identidade plural, de ganhar um passaporte húngaro sem perder o brasileiro. Ser outra pessoa sem deixar de ser ela mesma. Pertencer a um país e a outro ao mesmo tempo. Como observa um funcionário do Arquivo Nacional, “passaporte, quanto mais melhor”. Como logo acrescenta outro funcionário, “ter duas cidadanias é como ter duas roupas; você despe uma e veste a outra”. O pedido de um passaporte europeu não nasceu, portanto, de um possível mal-estar com a nacionalidade brasileira ou de uma pressão como aquela sofrida pela avó, austríaca que se tornou húngara com o casamento e que se viu obrigada a deixar a Hungria, expatriada, e migrar para o Brasil em 1937, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Enquanto conta a história do passaporte de Sandra, o filme conta também a história do passaporte de seus avós, marcados por um carimbo com a letra K." 

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